domingo, 21 de dezembro de 2008

Cotas afirmativas na UFMA

No dia 31 de outubro de 2006, a Universidade Federal do Maranhão – UFMA, aprovou a adoção de cotas afirmativas em seus processos seletivos. Estas cotas começaram a beneficiar alunos egressos da escola pública, negros e indígenas no seletivo de 2007.

De lá pra cá já se foram dois vestibulares e muita polêmica em cima da adoção e do processo foi gerada. Este ano o caso das irmãs Ana Paula e Ana Caroline Ribeiro Fonseca se tornou um exemplo nítido da problemática gerada pelo sistema, onde apenas uma das irmãs Ribeiro Fonseca foi classificada no processo. Perguntadas sobre o assunto não quiseram falar, pois disseram que já tinham resolvido o problema com a universidade.

Para a professora do curso de comunicação da Universidade Federal do Maranhão, Ester Marques, este processo é defasado, pois muitas pessoas estão se beneficiando e são pessoas que, às vezes não precisam de cotas, segundo ela “cotas tem que ser é para pobres, independentemente da cor da pele de cada um” afirmou a professora.

Atualmente no Brasil 34 universidades públicas mantêm ações afirmativas no vestibular voltadas para estudantes negros e de escolas publicas.

Na UFMA cerca de 50% das vagas do vestibular são destinadas a alunos cotistas, desses, 25% exclusivamente a alunos de escolas públicas, independentemente de etnia e 25% a candidatos que se declararem afro-descendentes, independentemente de serem oriundos de escolas públicas ou privadas. Além disso, uma vaga de cada curso de graduação da Universidade a cada semestre é destinada a portadores de deficiência física e indígenas.

Para aprovação pelas cotas o vestibulando passa por uma Comissão de Validação de Opção que é formada por 29 membros de entidades sociais, o responsável pelo processo, o professor e coordenador do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB) da UFMA, Carlos Benedito da Silva, disse que o processo de cotas afirmativas nas universidades é importante “são políticas emergenciais que precisam ser tomadas, pois o índice de negros nas universidades é baixíssimo, tomando, por exemplo, o caso do Maranhão que possui 80% da população negra, e apenas 3% está na Universidade”. Afirmou o professor que concluiu dizendo que erros ainda existem na hora do processo de escolha, mas que a cada vestibular os erros vem diminuindo.

Entre os alunos o sistema também gera muita polêmica, para muitos as cotas afirmativas deveriam ser apenas para o ingresso de pessoas de escola pública, segundo a aluna Luciene Assunção, 19 anos ,do curso de Direito “as cotas devem ser apenas para alunos de escola pública, afinal de contas a maioria dos negros está na escola pública e com isso essa cota já insere o negro no processo, com isso não precisaríamos de cotas exclusivas para negros, eu tiro por mim, sou negra e entrei na UFMA por cotas, mas cotas de escola publica por achar que cotas para negros esconde um certo preconceito e por que não dizer racismo por parte da comissão organizadora” declarou a aluna.

Segundo o aluno do curso de Comunicação Social, Hugo de Andrade, “as cotas para negros também devem existir, independentemente ele seja de escola publica ou particular, afinal temos que mudar este quadro no nosso país onde você olha apenas alunos brancos na universidade federal, isso tem que mudar, até mesmo pela questão do preconceito, o que a sociedade não ver é que existe um déficit com o negro no Brasil, e isto é notável”.

De acordo com Núcleo de Eventos e Concursos (NEC) da UFMA, teremos 5.741 inscritos pelo sistema de cotas no Processo Seletivo Vestibular (PSV) em 2009.

No total, 11.920 pessoas efetuaram a inscrição no sistema de cotas nas categorias negro, escola pública e especial (portador de deficiência e índio), dos quais 6.179 não foram validadas. Neste caso, o candidato passará a concorrer na categoria universal.

19 opiniões:

greatdj disse...

Confesso que fiquei curioso quanto o caso das irmãs, qual não conheço.
Mas eu sou totalmente contra cotas.
Porque se é negro, não é justificativa.
Raça para mim não altera em nada.
Se veio de escola pública e ela é fraca, então temos que mudar a escola e não enfraquecer a universidade.

Ananda Virginia Sgrancio disse...

Cotas...Assunto que eu tenho minha opnião formada a muito tempo. Sou estudante de escola particular e cursarei em 2009 o 3º ano do EM.
Sim, eu sou contra cotas.
Falam que a cor não torna ninguém melhor que ninguém, então porque criar cotas para negros? Eles são menos capacitados que nós, brancos?
As pessoas que aceitam esse tipo de cotas, são as mais racistas. Inclusive os próprios negros que aceitam, claro que durante a história eles foram deixados de lado, foram tratados como NADA e NINGUÉM pode mudar o ínicio mas pq nao começam mudando agora, para fazer um novo ínicio?
Eu sei que escola pública é inferior, MUITO inferior mas porque não investe desde da 1ª série do EF e não na faculdade.
Quem é bom de verdade passa no vestibular independente de cor ou escola.
O absurdo é que estão querendo criar cotas para concursos.
Se eo fosse falar tudo que penso, serviria como post e nao como comentário. São muitas os meus argumentos.

sucesso !

http://anandavs.blogspot.com/

samuel rodrigues disse...

cotas=racismo

fato!


autor, vc he de São Luiz?

Frank Lima disse...

Não sou mas vivo em São Luís,

Pq a pergunta?

Andreson Lima disse...

ainda tenho duvidas sobre isso, por exemplo na nossa sala de comunicaçao tem quantos negros? quantos brancos? nao sei se encaixa nessa porcentagem de 3%.

Vinicius Braga disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vinicius Braga disse...

Isso dá pano pra manga...
Bom, vou só expor umas questões.
Em primeiro lugar FODA-SE esse lance de dívida histórica. A escravidão foi adotada em muitos outros países onde não existe esse lance de cota. Alem do mais, na sociedade ludovicense (e creio que no mundo todo), cada vez mais o que vale é o poder do capital, não da cor. Esses avanços em relação ao preconceito já são possíveis de serem notados na própria mídia, e, se for questão central o preconceito em si e não a pobreza, ela exerce bem mais influência. Já é possível notar avanços com os gays, por exemplo, mas vocês ja imaginaram cotas para gays?.
Segundo, o que confere poder aos "doutores da raça" para emitir um julgamento desse tipo?
Terceiro, como foi muito bem colocado no post pela aluna de direito, a cota para escola pública abrange toda a questão, uma vez que ja soube por pessoas envolvidas no processo que as cotas são pra negros POBRES. Ou seja, se a questão é sobre capital, volto ao argumento de uma única cota.
Quarto, eu sou CONTRA qualquer sistema de cotas. É vergonhoso o governo ter de apelar dessa forma pra JOGAR pessoas no nível superior, sem investir onde se deve, na EDUCAÇÃO BÁSICA. Sei que alguns aproveitam a oportunidade, mas acho completamente INJUSTA essa FACILITAÇÃO. Acho que a constituição é bem clara quando diz que temos direito à igualdade, e para mim, este sistema vai de um extremo ao outro, privilegiando um determinado grupo.
E pra finalizar, as pessoas (a maioria) observo que são de movimentos negros, sempre se acham perseguidas, quase sempre tomando um discurso racista, aparentando ainda viverem à sombra de uma escravidão, ou justificando verbas para seus projetos com esse eterno mecanismo de defesa.
Brasil, me desculpe por ver corrupção em tudo. (=
E viva às (co)cotas!

Liliam Freitas disse...

Eu não tenho opinião formada sobre muita coisa. Sobre cotas então. Essa é matéria? Toda acho que sim! Relativamente boa, o assunto é bem complexo, acho que o Frank deve concordar. Creio que te deixava mais doido quando falava contigo.

Agora os comentários formam um texto. Dizer que raça não altera nada é jogar a Antropologia no lixo, no Brasil então! Deve ser sofrer da cegueira social uma pessoa que pensa assim.

Carlão define bem. A UFMA foi uma das últimas a fazer a adoção. Estavam todas erradas ?! O legal é que elas foram adotadas sem uma consulta popular visto que a população brazuca afirmaria que No Racism, não existe racismo. A discussão para aí.
Depois volto e fala da nossa Constituição.

Vinicius Braga disse...

Eu acredito na raça humana
E falar que "raça" é fator determinante para definiçao de uma sociedade é seguir padroes antropologicos ultrapassados como o determinismo biologico ou o evolucionismo.
Ja manifestei tambem minha opiniao sobre os movimentos negros, entao nao vou repetir.
Se todas as universidades do Brasil implantaram nao creio que tenha sido pq sao bonzinhos e querem reparar um erro, creio que há questoes politicas envolvendo isso. Alem do mais nao nego a possibilidade de todas estarem erradas. Afinal estamos falando de Brasil, como deve ser bem lembrado.
E finalmente, independente do que o povo diria, ainda assim seria a escolha do povo, e nao duma minoria beneficiada. E a escolha nao seria entre se há ou nao racismo, seria se há ou nao necessidade de cotas para negros.
Agora, tipo, eu tenho opinião formada, apesar de nao ser fechada.

MissCrazyLove disse...

sou contra as cotas...
pra mim, todos tem oportunidades, e cor de pele não é justificativa neeenhuma.

Liliam Freitas disse...

Também gostaria de acreditar na raça humana, mas ela faz tantas desumanidades! Contraditório né?! A cor da pele, a classe e gênero se não determinam, elas chegam perto disso. Nem precisa estudar Antropologia, basta a ver os indices do IPEA e IBGE. E notar que a coisa não é tão mamão com acuçar nem se reduz ao ser contra ou a favor.
Toca Raul

Vinicius Braga disse...

Pela quantidade de linhas que eu escrevi pra mostrar que sou contra, acho que ja da pra notar um pouco, mas so um pouquinho, que a ULTIMA coisa que fiz foi querer reduzir. Ate pq deixei bem claro no começo que eu colocaria apenas alguns pontos da questao.
Sobre as outras bobagens, é por causa desse tipo de "diferenciaçao" que o preconceito nao tem fim. Os "doutores da raça" estao sempre querendo reviver esta questao arrastando este rancor sem nexo em pleno seculo XXI.
A politica que deve ser feita é de apoio social e nao "racial". Afinal quando falei que acreditava numa só raça, foi nesse sentido mesmo de eliminar diferenças. É OBVIO que eu nao acredito na humanidade como boazinha ou perfeita.
Vamo aprender a interpretar.

danilo disse...

interessante feliz natal e um bom 2009

Liliam Freitas disse...

Não queria escrever muito Vinicius, por isso pedir a música Toca Raul, de Zeca Baleiro.A interpetração é subjetiva, sabe disso.
Acho que não é indissociável a questão racial da social. Gostaria de concordar contigo, mas não consigo. O que eu leio e o que vejo me levar a concepção que tenho.
Respeito a sua. Só te provoco! Acredito na importância da heterogeneidade de opiniões, mas é preciso mais que opiniões.
E gatinho, Vi, e a galera, Feliz Natal

Vinicius Braga disse...

Acho que tudo é opinião.
Ou melhor, opinião é tudo. Principalmente bem fundamentada.
Acho que expus satisfatoriamente meus motivos, e isso basta pra mim.
Não é minha intenção primeira convencer ninguém a pensar o mesmo, mas acho que os argumentos que forneci devem ser levados em consideração.
Sobre os detalhes, continuo pensando que so se acaba com o preconceito evitando a diferenciação.
Sobre interpretação, sei que é subjetiva, mas há algo de objetivo nela que nos permite nos comunicar, talvez um espirito absoluto do Hegel, ou um inconsciente coletivo do Carl Jung. Resumindo, achei que havia sido claro, mas se nao fui, clarifiquei depois.
Ah, e obviamente eu já fui no teu blog. Cuidado com a exaltaçao da objetvidade. O saber cientifico é uma das formas de se perceber o mundo, mas nao a única.
Eu daria "feliz natal", mas isso não teria significado pra mim, então acho que não seria muito necessário.
No mais, bjosmeliga a todos. E desculpa a Frank pela utilização do espaço.

Liliam Freitas disse...

Opinião não é tudo.

Particularmente acho ótimo que as pessoas não concordem as cotas, nem deveriam. Mas o contexto torna-se vitais que elas sejam adotadas. Ficar no eu sou contra e detalhar a opinião de que é contra não ajuda muito.

As pessoas deveriam se posicionar contra os governantes que brincam com a educação e com o discurso de que a educação é importante e investir no social. O discurso é lindo, mas a realidade não é.

O texto em questão poderia ser aprofundar e falar das cotas dentro do ensejo maior das políticas afirmativas que vem trazer uma discussão de políticas públicas para um segmento negro que é majoritariamente pobre. Todos os indicadores dizem isso. Não é minha opinião! E olha que são institutos com IBGE e IPEA ligados ao Estado que afirmam isso.

As cotas em si não resolvem. Elas provocam. Mostram uma realidade que as pessoas não querem observar. Já se diz que o Brasil não mais terceiro mundo. Pode ser uma política errada, mas vamos fazer o que? Dizer que o problema é a educação básicas e esperar que depois de séculos a o problema do gigantesco problema social entre pobres, bem pobres versus ricos, bem ricos, leia-se, brancos versus probres seja resolvido.

Ah, o espaço é para ser usado. Quanta mais a gente usa, mais mega há. Vantagem do Cyberspaço.

Eu vou indo. Tenho um grande trabalho para redigir

Wesley disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vinicius Braga disse...

Não vou mais perder tempo discutindo com pessoas que nao sabem pensar por si só e acreditam cegamente em números facilmente manipuláveis.
No fim das contas, tudo é opinião.

Liliam Freitas disse...

Essa é boa! Você perdeu tempo, que pena, eu não. Se bem que poderia ter encontrado comentários mais... digamos, pertinentes.
Sorry, honey